ED63- Abril de 2014

"Nada se faz eterno, nada se faz sólido. Quando há verdades contestadas e momentos confrontados, tudo muda, tudo se modifica e nada fica no lugar. Assim o mundo caminha, o mundo se modifica, assim se faz a nova realidade deste novo mundo!" Pamela Sobrinho

FOTO 63

BUQUÊ SUBULATA

Tiago Henrique - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. - thvirtual.com
ARLOUCO OCUOLAR (página 72)

Fica por aqui uma tragédia encenada:

Minha costela rompe com o corpo
Dores doem no osso
Uma curvatura curva a coluna

Eu que não sou biólogo
E nem entendo nada de medicina
Atropelo a lógica
E fraturo o pescoço

Meu córtex cerebral
Bate as placas em circuitos acelerados
Se não fosse artista
Seria um louco varrido

Acontece
Que ambos não são tão diferentes,
Pelo menos
Para os ideólogos
Defensores
Do ainda inexistente.

COLUNA DA PAMELA
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Foi publicado este mês a pesquisa do IPEA que 26% da população brasileira acha que mulheres que usam roupa curta devem ser atacadas, estimativas apontam que haja anualmente 527 mil tentativas ou casos de estupros consumados no país, dos quais 10% são reportados à polícia, sendo que 88,5% dos casos sejam mulheres e mais de 50% sejam crianças de até 13 anos de idade, o que prova que não é a roupa ou o lugar que se faz o estupro e sim os estupradores, outro ponto interessante desta pesquisa é que, na maioria dos casos, o algaz não é um estranho e sim alguém próximo ou conhecido da vítima. Diante de tal notícia, fiquei chocada, apesar de saber o país machista ao qual eu vivo, por isso, resolvi por toda minha indignação neste poema.


A dor, a repulsa, a tristeza
Porque eu? Porque nós?
O medo imunda minha alma
Que corrosiva se faz
Todos contra um
Ninguém entende, não me olhe assim
Eu estou sim doente
Toda essa dor insistente
Não, o mundo terminou para mim
Que presente inexistente
Foi-se velado pelo vento, velado pela morte
Porque você?
A confiança as vezes amarga confrontada
Com a dura verdade. Porque você
Foi-se, o tempo passa
os dias correm e o mundo continua sempre o mesmo
Todas essas perguntas sem resposta
Todos os julgamentos foram para mim
E tu Judas? Saiste ileso?
Eu ainda não compreendo o mundo.

COLUNA DO VITOR

VOCÊ TEM CUIDADO DOS SEUS JARDINS?
Vitor Melo - www.vitormeloescritor.blogspot.com

Mary vivia no estado da Florida, nos Estados Unidos e tinha como profissão a jardinagem: sentia-se bem cuidado dos jardins de seus vizinhos e dos seus também. Seu prazer era plantar, restaurar, cuidar e ver as flores nascerem. Todavia, Mary passou a cuidar dos jardins de seus vizinhos e esquecer dos seus. Todos os dias vinha o desejo de regá-los, mas ela dizia a si mesma: Depois eu faço isso, primeiro eu vou cuidar das flores do vizinho!

O tempo passou e o seu jardim secou-se e a vizinhança, que outrora a considerava capacitada, ao ver os seus jardins secos, começou a não solicitar o seu serviço, com a seguinte visão: se ela não cuidou do seu próprio jardim, o que fará com o jardim dos seus vizinhos?!

Essa pequena história é uma metáfora, mas não deixa de ser um alerta aos que ensinam e também aos profissionais que cuidam da saúde, da beleza e do corpo. Se a nossa vida não expressar claramente aquilo que ensinamos, talvez até falaremos, mas nossas palavras não serão acompanhadas de autoridade. Nosso ensino será sem vida e não transmitirá ânimo aos ouvintes. Jamais devemos nos esquecer que aqueles que nos cercam não ouvem conselhos, eles seguem os nossos exemplos.

A pergunta que não quer calar é: como tem estão os jardins da sua alma? Eles se encontram bem nutridos ou a muito tempo você não dedica seu tempo para tratá-los e dar um bom exemplo ou viver aquilo que costuma ensinar? Infelizmente o que mais existem por ai são pessoas com o caráter "fariseu": estão cheios de teoria, mas vazios de sua prática. A estes o Senhor Jesus faz a advertência real de um risco que não é útopico: "Porque Eu vos digo que, se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, de nenhum modo entrareis no Reino do céus." (Mateus 5. 20).


ESPAÇO ABERTO

MADRUGADA, MANHÃ, TARDE E NOITE: MOMENTO DO NÃO
Baltazar José Filho - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Madrugada é sempre o momento do não, ela é anúncio da manhã que também é momento de não. Na madrugada dormimos e então dizemos não. Não a todo pesadelo, não a todo sono agitado, não a todo barulho perturbador, não a toda insônia e sim ao descanso, à tranquilidade e à paz.

Pela manhã é hora de despertar. Despertar para a vida, para as realizações, para as alegrias e para tudo que é bom e agradável, então dizemos não. Não à desilusão, não a toda preguiça, não a todo desamor, incompreensão, não à tristeza e todo desprazer.

Chega o sol, e junto com seus raios vem também o não. Não a toda penumbra, não a toda neblina, não a toda escuridão, não aos espíritos rebeldes que habitam nas trevas (mas que agora também estão vagando durante o dia), não ao dia ruim, não ao café sem açúcar, não a toda falta de sabor à vida e sim a toda esperança de que neste dia, tudo se renove e traga boas notícias.

Meio dia, início de tarde e temos que dizer não. Não à moleza corporal que nos vem logo após uma bela refeição, não a toda má digestão que nos desanima diante da luta vespertina. Força! Sim, força! Pois uma parte do dia já se esvaiu e só nos resta a outra. Então poderemos alcançar a tão almejada noite (para alguns sim, para outros nem tanto almejada). Ela chegou. Enfim a noite. O que nos espera? Um belo banho, retirar os sapatos apertados, afrouxar a gravata, desabotoar o paletó? E o não? Na noite podemos também dizer não? Sim, podemos. Não para tudo que possa tirar a nossa paz e a tranquilidade de mais um dia, de termos cumprido a nossa missão. Não, talvez a missão tenha ficado pela metade. Que atitudes tivemos?

O mundo espera mais de nós, o mercado de trabalho espera, nossa família espera, a escola espera, nossos amigos esperam... E nós devemos também esperar? Esperar de nós mesmos ou devemos procurar por outrem em quem esperar? Não.


O SILÊNCIO DO GRITO
Tarso Corrêa - http://tarsocorrea.blogspot.com.br/

O pequeno menino, rotulado, marginalizado,
Com os pés descalços, espalmados na realidade cruel do asfalto,
Enfrentando rostos de cera com a dureza do cobalto,
Corre pelas veias pulsantes da cidade,
Desafiando a tirania social e a ácida verdade.
No sinal vermelho, em cada esquina, no desespero dos minutos,
Dentro de bolhas de vidro e metal,
Homens enclausurados, algemados aos seus relógios,
Levam a sua rotina letal.
A incômoda e agressiva presença do pequeno gigante,
A mostrar a nossa degradação, exposta no dorso nu do pivete,
Corta a nossa dignidade a golpes de canivete,
O pequeno, com o vazio do estômago, torna-se um guerreiro beligerante,
A nos empurrar gotas de sonho solidificadas em bala,
Que nos abala, entala e cala,
E, numa fração de segundos, naquele rosto magrelo, estampa-se um sorriso cheio de dentes,
Que nos leva de volta a nossa vida contundente.


RELATOS E DESABAFOS DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL DE NOSSO DIA A DIA
Aline Xavier Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Em tempos de discussões, questionamentos diversos e quebra de paradigmas, tenho lido muito sobre preconceito, principalmente contra negros e mulheres em geral. Algumas pessoas reconhecem e lutam por igualdade, outras negam veementemente a existência de uma possível “distinção”. Pesquisei muito (história, inclusive) para poder responder com total propriedade a seguinte pergunta: afinal, ainda existe racismo no Brasil? Como ele ocorre? Nem precisava ter aprofundado tanto, bastava atentar para situações cotidianas que vivencio e enfim perceber que esse problema persiste na sociedade, e está longe de ser erradicado – pelo menos enquanto não se propor uma mudança de mentalidade.

Eu, MULHER, NEGRA, GORDA e POBRE lamento ao perceber que muitas das políticas inclusivas são encaradas com péssimos olhos pela elite brasileira. Além da forma objetificada que as mulheres são encaradas, há muito preconceito no mercado de trabalho. Como sou formada em Recursos Humanos, lido com essa questão dia após dia.

"Boa aparência" é um fator primordial para a conquista de muitas vagas. O que poucos percebem, e muitas vezes nos acusam de vitimismo, é que esse pré-requisito é uma forma de racismo velado, forma de segregação ainda mais difícil de ser combatida. Afinal, o racismo não é “escancarado” como antigamente, mesmo porque é um crime inafiançável e imprescritível, segundo a Constituição Brasileira.

Há alguns dias, recebi um anúncio de vaga para trabalhar em determinada escola, cuja remuneração seria de R$ 75,00 por dia. O único requisito era ser maior de 18 anos.
Possuo cadastro em vários grupos de emprego no Facebook e vejo, diariamente, vagas para trabalhar em eventos com o seguinte perfil:

Precisamos de meninas para 2 stands. Evento X, de 10 a 13 de maio de 2014.
Horário: De 10 às 22 horas, todos os dias.
Cachê: R$ 170,00 por dia
Pré-requisitos: Perfil/Nível A ou B, comunicativa e idade de 21 a 30 anos.

Recrutadores estabelecem o que é denominado tipo A, AA, A+, A++, B e derivados: meninas altas (acima de 1,70m), pele clara ou levemente bronzeada, cabelos lisos ou parcialmente ondulados, manequim 36 ou 38 (sim, alguns anúncios exigem isso), traços finos (nariz e boca pequenos) e outras características não raras vezes, incomuns aos negros. Sequer citaram a escolaridade mínima. Pedem para enviar currículo com foto, e negros são automaticamente excluídos. Se questionados, alegam que o perfil exigido vem descrito pelo contratante – e muitas vezes é verdade. O cachê desses eventos varia de R$ 140,00 a R$ 210,00 por dia. Percebeu a diferença?

Todo trabalho é digno, mas percebe-se que negros estão em larga desvantagem no mercado. Considerando outras profissões, quantas aeromoças, presidentes de multinacionais, publicitárias negras se vê por aí? Modelos são raríssimas, conheço apenas uma. Em contrapartida, babás, empregadas domésticas, atendentes de lanchonete e afins são vistas aos montes. Afinal, é o que sobra pra elas, não é?

E o que dizer das piadinhas sobre cabelos afros? “Cabelo duro” é um adjetivo pejorativo que foi, infelizmente, atribuído aos cabelos crespos. Meu cabelo é pouco volumoso, fino, fácil de pentear e cuidar. Ainda assim, já ouvi que deveria alisá-los incontáveis vezes. Cabeleireiras (muitas delas negras) disseram: ah, mas uma progressiva cairia tão bem, ficaria fácil manter no dia-a-dia. Manter do jeito que eu quero, isso sim.

Quando criança, minhas referências de bonecas e artistas eram totalmente o oposto de mim. A infância é o período da vida no qual é formada a autoestima e construída a personalidade. Os danos sofridos nessa fase perpetuam-se por toda a vida, consciente e inconscientemente.

Poderia estender esse texto indefinidamente, mas isso não se faz necessário. Infelizmente a forma como a mulher negra é enxergada é essa. Pode soar extremista para os incautos, mas é a verdade nua e crua. Há coisas que só quem é negra sente na pele. É como se a negra tivesse um lugar pré-determinado na sociedade e não devesse sair dali. Nasceu negra, já está "carimbada", mais que estigmatizada na sociedade.

Devemos nos AMAR acima de toda e qualquer coisa e não esperar NADA de ninguém, porém lutar para que a tão sonhada igualdade se aproxime cada dia mais de nossa realidade. Inclusive espero, num futuro próximo, não ter que lutar pelo óbvio.


RELEASE

Betim Shopping sedia mais uma fase do Campeonato Betinense de Xadrez

Após o sucesso da primeira etapa do Campeonato Betinense de Xadrez. O Betim Shopping será sede da segunda etapa do torneio que acontece no dia 12 de abril. As inscrições têm o valor de R$ 10,00, porém quem já pagou na outra etapa não precisa efetuar o pagamento outra vez, e devem ser realizadas pelo telefone (31) 3511-6295 ou pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . O torneio é aberto aos enxadristas de todas as idades, residentes ou não no município e devem ser realizadas. Os jogadores serão premiados por etapa e os 5 primeiros colocados receberão troféus.

O evento que tem apoio da Asmube (Associações dos Servidores Municipais de Betim) é uma realização do Clube de Xadrez de Betim em parceria com a Prefeitura de Betim e também do Betim Shopping. Para mais informações a respeito do campeonato acesse www.betimshopping.com.br.

MOMENTO CULTURAL

Artes Visuais - Minas Território da Arte
Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard - Palácio das Artes
De 12 de Março, Quarta a 04 de Maio, Domingo
Terça a sábado, das 9h às 21h ; domingo, das 16h às 21h

Para quem gosta de arte e principalmente prestigiar artistas locais, está em exposição no Palácio das Artes cerca de 100 obras, de 64 artistas de nove, das 10 macrorregiões do Estado, que representam um recorte da produção artística mineira das primeiras décadas do século XX até os dias atuais.

Estão sendo contempladas fotografias, pinturas e esculturas. Um belo espetáculo aos olhos e com entrada gratuita.

COLUNA VEGETARIANA
Assista: http://www.terraqueos.org/


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EDIÇÃO PUBLICADA POR
PAMELA SOBRINHO ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )