ED73 - Junho de 2015

"Junho: a união perfeita entre o amor e o inverno"

Junho

BUQUÊ SUBULATA
Tiago Henrique - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. - thvirtual.com
MEDONHO (Página 79)

Vou acabar me condenando
Minha descrença
Fez com que eu chegasse até aqui
No inferno de mim mesmo,
Na psicopatia do medo

HEI VOCÊ QUE ESTÁ LENDO

Não repare
Meu mundo versadamente imaginário é diferente da realidade,
Se eu te faço sonhar
Por que não posso mostrar os pesadelos?

COLUNA DA PAMELA
CRUCIFICAÇÃO - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Fico me perguntando porque tanto reboliço com a foto da Viviany Beleboni na Parada LGBT de São Paulo, me pergunto mais ainda onde está escrito que eu não posso fazer criticas ou analogias a religião cristã? Desde quando o seu sagrado tem que ser o meu sagrado? Ou será que tanta falação tem a ver com o fato da moça ser trans?

Não é de hoje que a publicidade brasileira usa a imagem de cristo em suas publicidades , ou grandes "divas" como Madona ou Lady Gaga também usaram, isso pode, porque ambos são voltados para o publico hetero, cis, branco, rico ou seja quais são as características de um público de elite, não a elite do dinheiro, mas a elite de padrão convencional de nossa sociedade, sociedade essa que é machista,sexista e patriarcal. Sociedade que admite comerciais e programas televisivos objetificando a mulher, a cultura do estupro, a violência, a gordofobia e etc, programas que colocam esteriótipos nas pessoas, tratando-as como personagens, mas é a mesma sociedade que não admite a diversividade cultural e sexual.

Onde a religião nos é enfiada pela garganta, não respeitando o direito constitucional, conforme o Art.5 º da constituição Federal Brasileira de 1988:

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

VI - e inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;"

Para quem não sabe, nosso Estado é Laico, ou seja, ele não possui uma religião oficial para garantir os direitos de liberdade de escolha e opinião, mas é o mesmo Estado que ensina Educação Religiosa na escola e possuí bíblias e crucifixos em locais públicos, o mesmo Estado que pessoas pertencentes a comunidade LGBT tem seus direitos violados e marginalizadas, o mesmo Estado onde a religião tem mais poder do que os interesses de seu povo.

Mas o que me proponho a discutir é, porque tanto ódio? Será mesmo que é porque acharam a imagem uma blasfêmia ou porque o personagem envolvido pertence a uma comunidade marginalizada, além de mulher é trans. Até quando devemos engolir expressões de "dois diferentes não fazem filhos por isso não podem ser uma família" ou "isso é um desrespeito a nossa religião", o que é que faz com que algumas pessoas sejam consideradas melhores do que outras? Porque a mesma imagem reproduzida por um grupo marginalizado pela sociedade atual pode gerar mais espanto do que quando reproduzida pela mídia. Porque ainda considerar essas pessoas anormais sendo que elas são tão normais quanto eu ou você. Até quando a religião do outro vai interferir na minha opinião?

E o pior, até quando nosso Estado vai admitir que esses grupos de extrema direita tomem decisões sobre o que é melhor para nosso corpo. Não sou trans, sou mulher, hetero, cis, branca e classe média, não sou a melhor pessoa para entender ou discutir com amplitude algumas questões sobre a comunidade LGBT, chamo-os para a discussão e opinião, mas como agnóstica me sinto afrontada diante desse discurso de blasfêmia cristã, e com certeza apoio a atitude da Viviany Beleboni, e usando as palavras da mesma sobre o acontecido "Usei as marcas de Jesus, que foi humilhado, agredido e morto. Justamente o que tem acontecido com muita gente no meio GLS, mas com isso ninguém se choca."

Vamos refletir, vamos discutir, porque só assim os direitos vão ser respeitados, e eu digo não ao extremismo, ao preconceito, ao machismo, a homofobia e todos os outros males que atingem nossa sociedade


POESIAS
Tarso Corrêa - http://tarsocorrea.blogspot.com.br/
AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração


ESPAÇO ABERTO

Arte moderna e contemporânea: Ce ne est pas une œuvre d'art
Amanda Ribeiro - http://mandiibeiro.blogspot.com.br/

obra de arte

Desde a era moderna, percorrendo a pós moderna e a contemporânea, houve uma grande expansão do viés artístico, que pode ser observado principalmente nas galerias, através da invasão de obras que, diferente das de períodos anteriores, pareciam não querer criar correspondência com o ''mundo real''.

Essa abstração proposta na arte moderna, pós moderna e contemporânea suscitou porém uma espécie de aversão à ela própria, por parte de alguns espectadores. Essa aversão por sua vez, leva à uma certa dificuldade em aceitar essas obras como arte.

Antes de continuarmos essa discussão, é importante trabalharmos dois conceitos que irão alicerçar a argumentação: Arte e Estética.

Definir o termo ''arte'', pode tornar-se algo complexo a medida que muitos já o tentaram fazer e o de fato fizeram das formas mais variadas. Entretanto, a maioria dos conceitos criados para o termo, passam por um lugar comum, a busca pela estética - utilizada aqui como sinônimo de beleza. E assim, dentro dessas definições, a arte é vista como apologia a beleza e inclui essa como critério indispensável e eliminatório.

Roger Scruton, filósofo inglês nascido em 1944, confirma esse pressuposto e afirma ainda que, a arte vinda após a era moderna, deixa a busca pela beleza - que segundo ele é inerente à própria vida humana - para tornar-se culto à feiura, tendo como objetivo principal a busca pela originalidade.

Acontece porém, que o padrão estético é uma concepção relativa, variando conforme tempos, culturas, sociedades e ainda, conforme cada individuo. Sendo assim, a beleza não só se manifesta de formas diversas, como também é percebida de formas diversas. E é justamente essa diversidade que permite uma despadronização, uma abstração que é própria da arte vinda do período moderno até os dias atuais.

Essa é a Arte de reconfiguração e de construção de novos significados e signos a partir da experiência tirada da relação entre artista, obra e espectador.

Scruton, faz uma forte crítica ao desprezo da razão nessa obras. Isso porque ele afirma que estas parecem não ''querer fazer sentido''. Porem, se atentarmos para essa questão em especial, iremos perceber que muitas vezes obras de outros períodos, fazem sentido para determinado grupo, mas não o fazem para outro.

Vamos a um exemplo simples, peguemos como referencia o quadro “O Nascimento de Vênus”, de Botticelli, concebida em período Renascentista. Conseguimos discernir claramente as figuras nele presentes - no sentido que são figura humanas - mas podemos saber ou não, quem são essas figuras, o que elas representam na obra - e ainda fora dela-, e o que essa obra quer dizer. É claro que, ao olhar para essa obra temos com ela uma troca de experiência, mas todos esses quesitos citados anteriormente já estão pré definidos, a imagem é uma representação de signos pré-existentes, signos esses que podem ser interpretados por alguns grupos e jamais imaginado por outros.

A arte moderna, pós e contemporânea, porém, traz consigo uma abstração, permite a qualquer um construir sobre aquilo que vê: nela os signos não pré existem, mas passam a existir a partir da visão e interpretação do espectador. É democrática, porque a partir do momento que não é necessariamente uma tentativa de reproduzir a realidade, desconstroe o ''certo'', a ''razão'', e pode ser reconstruída por cada um, passando assim, a fazer sentido para todos.

Podemos assim entender que a Arte ''do nosso tempo'' é um convite a ressignificar. Ela admite certo afastamento do referencial de beleza e a construção de um novo significado a partir da experiência do próprio espectador. Permite ainda, a vivencia de experiências com ''abstrações materializadas'', que não seriam possíveis sem sua existência.

Poderíamos aqui, após toda essa discussão, entender Arte como composição intelectual concebida materialmente como obra, que, leva o seu espectador através da experiência , ao plano intelectual. Por conseguinte, atribuímos a arte moderna, pós moderna e contemporânea todos os designos dessa preposição, podendo sem dúvida, considera-las uma forma legitima de arte.

FALAR CONTIGO
Revista O Estilingue Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Falo contigo
e é como se falasse
com essa qualidade
de luz das árvores.

É perfurar o verde
e emergir do outro lado
(o úmido porvir
dos vegetais).

Falo contigo
e compreendo o estado
dos sons que surgem
à noite, noite-em-claro.

Falo contigo
e entendo
o que não tem sentido.

Amor é assim, palavra:
lume comovido.


De Um Calafrio Diário (2002)

Você não é obrigada a aceitar migalhas
Aline Xavier - http://alinexavier.me/

Você merece muito mais que sobras emocionais regurgitadas pelos outros em momentos de ânsia e desespero. Não importa se você é “bonita” (aspas aqui, pois estamos cansados de saber que beleza é uma construção totalmente social), se é “bem-sucedida” (aspas novamente, porque podemos ser bem-sucedidas em tudo, mas esse termo tem uma conotação puramente capitalista na sociedade em que vivemos) ou se simplesmente é uma pessoa comum, daquelas que passam absortas em uma aglomeração de pessoas, seja na Praça Sete no meio do dia ou na 25 de março ao fim do horário comercial.

Você não precisa se contentar com menos. Com uma pessoa mais ou menos. Que te ame menos, que te respeite de menos, que seja bem menos do que você deseja. Sabe aquela coisa do: “ah, eu não posso ser exigente com ele, porque…” pare por aí, imediatamente.

O mundo está repleto de mulheres com esta mentalidade. Que se acham menos merecedoras. De amor, de sexo de qualidade, de afetividade. Que se diminuem, acreditam no sentimento de menos valia que a sociedade, os pais, a igreja, quem quer que seja, lhes fizeram acreditar. Isso não é culpa delas. Mas é uma mentira incalculável. Daquelas que impressionariam Pinóquios.

Você não vai ficar sozinha. Mesmo porque o sozinho é bem relativo. Não depende exclusivamente de companhias físicas, mas sim da presença – no sentido literal da palavra – e do impacto que elas causam em sua vida. De que adianta ter um cabide quebrado ao seu lado? Mais vale esperar pelo seu guarda-roupa novinho em folha.

Você merece um amor inteiro. Daqueles que foram feitos quase que sob medida pra você. Um parceiro de vida – independentemente do seu estado civil – e não apenas um namorado ou alguém pra preencher o seu status de relacionamento no Facebook. Alguém que vai apoiá-la em seus projetos de vida – até os mais loucos, como largar o emprego público e montar a sua microempresa de artesanato. Que lhe achará – verdadeiramente – a mulher mais linda do mundo (dele). Que vai satisfazê-la física e emocionalmente – desde que você faça a sua parte, claro. Quer coisa melhor do que isso?

Desde que você se permita – e não insista em permanecer com os calhordas que tropeçar pelo caminho – você encontrará um amor tranquilo, que acrescente, que não apenas some, mas que multiplique. Que faça você acordar todos os dias e lembrar do quanto ele é do caralho. Que a torne mais feliz do que já é. Que lhe encoraje a ser a melhor versão de si mesma.

Você merece um amor completo. Daqueles que suplementam. Que alimentam. Que complementam. Que transbordam. Deixe os farelos pros pombos.

COLUNA VEGETARIANA
Assista: http://www.terraqueos.org/


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EDIÇÃO PUBLICADA POR
PAMELA SOBRINHO ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )