JOÃO BARONE | Paralamas do Sucesso

Por: Thiago Rangel
Fotos: Lucas Abraão
Agradecimento por pauta de: Flávia Meira (lead.com.br)

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João Barone, baterista da banda Paralamas do Sucesso, visita Árvore da vida em Betim

 O conceituado baterista, João Barone, da banda Paralamas do Sucesso, considerado um dos melhores bateristas do Brasil, esteve na segunda 11 de junho, no projeto Árvore da Vida no bairro Jardim Teresópolis, em Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Durante sua participação no evento, o artista tocou com aproximadamente 40 jovens que participam das oficinas de canto e percussão do programa no período da manhã, além de responder perguntas sobre o mundo da música, o artista relembrou importantes momentos da carreira.

A união do músico, deu-se no dia em que foi chamado para substituir Vital, então baterista do grupo, que faltou a uma apresentação no Festival Universitário (RJ) em setembro de 1981. O entrosamento foi instantâneo, o público aprovou e ele assumiu definitivamente o posto de baterista.

Fotografo Lucas_Abraao_2Como foi estar em Betim e conhecer o projeto árvore da vida?
É emocionante se deparar com essa iniciativa nas comunidades. Percebemos por meio dessas ações o quanto o nosso povo é talentoso. Foi uma manhã muito especial, esse projeto merece o apoio de todo mundo.

Qual o papel da música na vida destes meninos que estão realizando as oficinas e possuem uma realidade diferente?
Ajuda muito. Hoje tivemos uma amostra clara, por meio do coral e do grupo de percussão. É importante manter esse tipo de incentivo e fornecer pra quem precisa tanto, se eu tivesse estudado música, talvez eu não teria pulado várias etapas nesse processo, seria mais capacitado pra fazer uma serie de coisas que eu tive que me virar. É um privilégio ter a possibilidade de fazer isso.

Como você avalia seus 30 anos de carreira?
É bom quando você pode olhar para o que você fez, é uma maneira muito direta que te coloca no desafio de tentar explicar um pouco como você chegou até aqui. No caso dos Paralamas, são 30 anos na estrada e nós não vimos o tempo passar e chega um momento em que você é obrigado a ver de onde você veio, pra onde você vai. Foi uma experiência e tanto aqui hoje.

No inicio do ano 2000 foi complicado tanto pra vocês, como para os demais colegas da geração. A critica passou a pegar mais pesado, o mercado em recessão fez as vendas caírem. Como foi passar por essa mudança?
É mais um desafio, não é tão diferente como antes. Claro que ainda é complicado conseguir um lugar sobre os holofotes. Continua difícil, por que tem tanta gente... Na nossa época a mostragem era muito menor, isso sem falar que ao mesmo tempo democratizou muito a produção musical. Hoje, todo mundo tem um estúdio digital dentro de casa, antigamente era tudo restrito, muito filtrado e atualmente é tudo mais fácil, mas ao mesmo tempo é muita gente pra ouvir na internet. Acredito que está se redesenhando o mapa de como comercializar o interesse pela música e nós vamos tentando descobrir esses caminhos. E se tem uma coisa que garante de alguma forma as bandas, é a performance ao vivo, não tem show dos Paralamas pirata. Quem quiser ver, tem que ir lá e assistir. Chega uma hora em que é preciso redescobrir a maneira mais interessante de se adequar a essa nova realidade mundial.

Hoje os Paralamas são vistos como uma banda clássica, que já consolidou seu lugar no mercado da música. O que tem de bom, e de ruim, nisso? Você consegue vislumbrar o seu futuro e da banda?
Acho que só tem coisa boa neste sentido, conseguimos um respeito ao longo do tempo, e tentamos manter isso de uma maneira muito tranquila. Quem conhece a banda sabe que nunca fomos de subir em “salto alto” e nem tivemos nenhuma atitude de celebridade. Não fomentamos isso, tratamos bem os nossos fãs e sempre fomos despojados com relação a isso. Não cultuamos, e nem glamorizamos, o importante pra nós é a musica. É o que fazemos. Atualmente, temos uma agenda bacana de show e manipulamos da maneira que a gente pode o que temos na mão. A nossa carreira, nosso legado de 30 anos e agente vê isso de uma maneira muito tranquila. Não nos sentimos ameaçados pela nossa própria produção, por aquilo que criamos. O nosso lance é tocar.

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