RBC Entrevista

Banda Bravum - Rock Mineiro

Por: Pamela Sobrinho

bravum

Na edição de Fevereiro de 2014 apresentei aos leitores da Revista uma banda ao qual fui apresentada e fique impressionada com o som deles, uma banda mineira de Montes Claros, com pouco tempo de estrada, mas com certeza com muita qualidade. Com isso, fiz uma entrevista com o Thiago Fonseolli (Vocal e Guitarra) para saber o pouco mais a respeito deles.


Como surgiu a banda? Quem são os integrantes?

A Bravum surgiu em 2010 movida pelo puro e simples desejo de fazer sua própria música, de ter sua própria identidade. No início a banda era formada por Thiago Fonseolli (Vocal e Guitarra), Vitor Stálin (Baixo) E Marcelo Alcântara (Bateria). Nesta época, fazíamos um som mais cru e até um tanto quando mais desorganizado, pois estávamos começando a reconhecer como aqueles acordes distorcidos, berros e uma bateria suja refletiam nossas emoções, anseios e ideias. Em 2011 gravamos nossa primeira demo. Fizemos alguns poucos shows e assim caminhamos assim até o meados de 2012. Então Marcelo saiu da banda e começamos uma verdadeira peregrinação por um novo baterista. Ficamos nisso por quase um ano completo. Dentre muitos outros amigos, vimos nossos rostos, espírito e vontades refletidos num amigo-novo chamado Cyrano, que então entra pra banda. Enquanto procurávamos um novo baterista decidimos começar a gravar todas as músicas que até então tínhamos composto. Chamamos um músico da cidade apenas para gravar as baterias para que não ficássemos parados mas, com a chegada de Cyrano e a nova sinergia da banda, decidimos regravar todo o material. E assim fizemos! No final de 2013 lançamos o “Higher Ground”, cd com nossas composições em inglês, e o “Chão”, cd com nossas músicas em português. Pouco antes do lançamento Vitor teve que sair da banda. Ficamos sem chão... prontos pra lançar o CD e acabávamos de perder o baixista que fundou a banda e que levou consigo parte da história e de suas ideias. Mas encontramos forças na vontade e na verdade que carregamos através de nossas músicas. Pouco tempo depois encontraríamos Zeca Xavier que, além de ter abraçado nossas causas e ideais, trouxe uma forma de tocar e uma expressão em seu instrumento que parece sempre ter existido e gritado na sonoridade da Bravum. Desde então somos Thiago Fonseolli (Vocal e Guitarra), Cyrano Almeida (bateria) Zeca Xavier (baixo) e, como no início, nossos rostos refletem mesmo desejo, com a mesma força e mesma vontade... de ver nosso som chegar ao maior número de pessoas possíveis.

Quais as influencias musicais?

Basicamente a sonoridade e bandas dos anos 90 e início dos 2000. Bandas como Diesel, SoundGardem, Pearl Jam, Alice In Chains, QOTSA, 2fuzz, Violins, Seether, Alter Bridge, dentre outras.

Como você define o estilo da banda?

Grunge. Mas quem ouve pode definir melhor do que eu ou qualquer um da banda. Define se gostou ou não. Sem se preocupar se soa como “A” ou “B”.

Houve algum incentivo municipal ou de alguma esfera governamental para a banda?

No início de 2013 conseguimos aprovar a captação de um valor que seria destinado à prensagem dos CDs lançados nesse ano através da Lei Rouanet. Mas, a dificuldade das 35 empresas visitadas em nossa cidade em cumprir os requisitos solicitados pelo edital de captação fez com que não conseguíssemos cumprir os prazos e acabamos por perder essa oportunidade.
Em Montes Claros não há incentivo em nenhum das esferas públicas ou privadas para produção independente e autoral. Se você faz música própria... Salvo raras exceções... Esqueça! Você não toca aqui! Pra tocar em Montes Claros você tem que fazer tributo a alguém. Uma cidade com quase 500 mil habitantes que não tem um teatro ou um centro de convenções decente... Não vamos longe... Não tem Bares/Pubs como o Matriz ou A Obra em BH que abram espaços para bandas autorais. É quase loucura pensar que isso é verdade... mas, É! E nos chamam de “cidade da arte e da cultura”... pelo menos para bandas autorais e que fazem rock n roll essa é uma ironia perversa.

O que você acha que deve mudar nas leis de incentivo a cultura para melhor beneficiamento das bandas?

Acho que as lei de incentivo são bem acessíveis e, numa esfera macro (federal e estadual) cumprem seu papel. É preciso um rol de habilidades para lidar com as plataformas e requisitos burocráticos. Mas não penso que isso seja problema e sim uma especificidade do trato com o dinheiro público e privado. Podem haver algumas lacunas quanto à interpretação/compreensão da linguagem utilizada nesses meios, mas até para isso existem vídeos no YOUTUBE que explicam como proceder. Por exemplo, se você deseja apresentar uma propostas de captação, através da Lei Rouanet, ao MINC, deverá utilizar o SALIC WEB, plataforma esta que num primeiro momento pode parecer complexa mas, ao assistir vídeos e ler alguns guias do próprio site do ministério, fica bastante simples e acessível.

Qual a interação entre a banda e seus fãs?

Temos um trabalho muito intenso através das redes sociais e buscamos sempre o contato mais intimista... aquele de visitar a página da pessoa, chama-la na caixa de mensagem e dizer: “Ei... essa aqui é minha banda... você pode escutar?”
Produzimos e atualizamos nossos meios com certa frequência... acho que isso é importante para a manutenção daqueles que se identificaram com seu som.

Me fale de suas perceptivas futuras?

Queremos chegar a um nível de produção e articulação que nos permita uma agenda de shows constantes, com viabilidade financeira para eles e chegando cada vez mais perto de quem se identifica com nosso som.

Quais os desafios hoje para se manter a banda?

Certamente uma agenda de shows compatível com nossa vontade de tocar. Há sempre desafios econômicos... Mas, felizmente, conseguimos viabilizar financeiramente os produtos e ideias da banda por meio de outras ocupações de cada um de seus membros.

Há algum preconceito relacionado ao estilo ou pela profissão de músico?

Quanto ao estilo não sinto que haja preconceito. Em nossa região há uma empatia reduzida... pelas características socioculturais que envolvem o consumo de música da maioria de seus habitante. Mas não penso que, numa análise com o restante do pais, quanto ao gênero Rock, que haja um tratamento diferente por aqui. O que existe é a falta de espaços para divulgação e formação de público para o Rock autoral.
Em relação a profissão de músico, não vejo muita diferença das outras profissões. Trabalho com música desde os 19 anos, quando entrei na faculdade de música e estagiei pela primeira vez. Desde então vem buscando formar de aprimorar e valorizar o que faço. Assim, tenho conseguido pagar minhas contas e investir em minha formação profissional. Em suma, acredito que não haja preconceito que incomode quando se está feliz e realizado com o que se faz.

O que a musica pode influenciar as gerações futuras?

A música é uma clara e permanente ferramenta de comunicação e estabelecimento de vínculos socioculturais construtivos. Sua força consegue reunir pessoas totalmente diferentes em todos os aspectos, mas semelhantes no desejo de escutar, sentir e analisar uma sonoridade, uma banda... A música é horizonte... é campo largo das mais diversas experiências e vivencias sonoras e imaginativas.
Quem a produz música não pode escolher influenciar gerações futuras... mas pode buscar ser verdadeiramente honesto em suas ideias líricas e melódicas. Sendo assim... há grandes chances de que outras pessoas se vejam refletidas em suas criações.

Próximos projetos?

Buscar e assinar um contrato com um selo para distribuição de nossas músicas.

Nossa Agenda de Shows.
14/03 - Timóteo
15/03 - BH
21/03 - Montes Claros

Bravum

Para ouvir suas músicas: https://soundcloud.com/bravum
Telefone: (38)91316403
E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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