RBC Entrevista

FÁTIMA MIRANDDA

 

FÁTIMA MIRANDDA

O ÍCONE DAS ARTES PLÁSTICAS DE BETIM
Fátima Mirandda, artista plástica, professora de pintura em tela, proprietária do espaço Tracos Atelier no Brasiléia e  moradora de Betim há 28 anos. Já realizou diversas exposições na nossa cidade e até fora do país. Homenageada em países como Espanha e Portugal, Fátima Mirandda recebeu a equipe da RBC em seu atelier e mostrou trechos de sua trajetória que, somados, fizeram dessa artista plástica, uma referência no cenário cultural da nossa cidade!
RBC: Fátima Mirandda, como nasceu seu interesse pelas artes plásticas? O meio em que se vive influencia esse despertar, ou isso já é algo que nasce com a pessoa?
FÁTIMA: Artista nasce artista, mas as oportunidades fazem dele artista ou não. Conheci as artes aos 15 anos através de uma prima, descobri o talento. É necessário tentar para despertar o dom na prática. O ambiente influencia sim, o que se vive, e transmitimos isso em nossas obras, mas isso se aplica apenas ao artista que é artista em sua essência, que trabalha com dom, não a artistas feitos em laboratórios.
RBC: Antes de se tornar uma artista plástica consagrada, no início de sua carreira quais foram as principais dificuldades enfrentadas e como você as superou?
FÁTIMA: Acredito que não só para mim, mas para grande maioria dos artistas no início de carreira, a maior dificuldade é sempre a questão financeira. Mas eu sempre tracei o caminho do trabalho com honestidade, afinal é ele o único caminho que nos leva à conquista. É preciso correr atrás, tentar ao máximo expor as obras e não apenas sonhar.
RBC: Você acredita que os artistas sofrem algum tipo de preconceito pela sociedade? Por quê?

FÁTIMA: Existem várias formas de preconceito. Uma das formas de preconceito que os artistas sofrem é a comparação a outros profissionais como um advogado, um médico, ele é menos valorizado. As pessoas se enganam pensando que ser artista é hobby, que nós artistas não trabalhamos. Pelo contrário, trabalhamos sim, e muito, a diferença é que somos profissionais privilegiados, pois com toda certeza amamos o que fazemos e dessa forma nosso trabalho é menos penoso.
RBC: Nesse caminho traçado no mundo da cultura, o que você viveu e aprendeu que mais lhe emocionou e o que mais lhe entristeceu?

FÁTIMA: Um dos momentos mais lindos foi quando conheci de perto nos museus da Europa  obras de Da Vinci, Van Gogh  e tantos mestres que fizeram da vida uma obra de arte. Viver a intensidade daquele momento único é uma emoção inigualável. Outro momento foi quando  finalizei  o trabalho da Vila Vicentina, realizado através  da lei de incentivo à cultura do nosso município. Nesse trabalho, pude ver como a  arte  pode transformar as pessoas, trazer  alegria. Foram três meses intensos.
Tristeza é ver a indiferença de algumas pessoas diante de uma obra de arte, perceber a insensibilidade e  a desvalorização no valor de uma obra que faz parte do nosso eu.
RBC: Como artista e como cidadã, qual a sua principal luta na busca de uma sociedade mais rica em cultura, o que você faz?

FÁTIMA:
Desde que cheguei a Betim, o meu trabalho sempre foi em prol da arte, eu ensino e ensinei  arte para muitas pessoas de Betim. Lamento não poder contribuir de forma maior, pois falta muito apoio para concluir muitos projetos. Ensinei arte e realizei projetos que beneficiaram outros artistas da cidade e da grande Belo Horizonte,  sempre me preocupando com o lado social e cultural que acredito ser responsável pela formação do indivíduo, hoje desenvolvo um trabalho voltado para crianças a partir de 5 anos, formando novos artistas, além de trabalhar com a terceira idade.
RBC: Em muitos de seus quadros, você abordou temas e cenários do cotidiano betinense, como são feitas as escolhas desses temas e cenários?
FÁTIMA: Realizei uma exposição sobre Betim e quando decidi  realizar esse projeto fiz um extenso trabalho de pesquisa para conhecer profundamente a história e as raízes da cidade. Durante esse trabalho de pesquisa fui  me apaixonando mais e mais por Betim que hoje me considero fazer parte dela.
RBC: Betim é uma boa cidade para um artista  viver?

FÁTIMA:
Para viver sim, mas não viver de arte.
RBC: Sendo artista plástica, como você vê a receptividade da sociedade sobre elementos culturais?
Betim tem crescido assustadoramente e tenho visto a cultura cada dia melhor, claro que tem muito ainda a ser feito, mas não só aqui como em todo o Brasil cultura ainda é um problema social, apreciar a arte é algo bem mais que simplesmente gostar, é preciso entender, conhecer e saber valorizar um trabalho artístico, o gosto pela arte vem da cultura, podemos perceber isso comparando com a Europa, o artista lá é bem visto, é tratado como alguém especial, infelizmente nem todos nos vêem assim por aqui. Ainda somos marginalizados por grande parte da sociedade, mas uma coisa é certa... SER ARTISTA NÃO É ESCOLHA É DOM DE DEUS.
RBC: Você já expôs suas obras em outros países, e até recebeu prêmios internacionais. Como o artista brasileiro é visto mundialmente?
FÁTIMA: Com bons olhos! Sempre que visitei a Europa fui extremamente bem recebida e admirada, principalmente na Espanha  e Portugal. Prova disso é que eu tenho um quadro exposto em Lisboa que faz parte do acervo da “UCCLA”. As pessoas gostam do artista brasileiro, das nossas cores, do nosso jeito alegre de ser.
Reconhecem nosso talento e nos prestigiam.
RBC: Depois de tantos anos em Betim, qual a sua mensagem para a população betinense?
FÁTIMA: Eu aprendi a amar Betim e as pessoas dessa cidade, aprendi com o trabalho que realizei, com os amigos que aqui fiz que, aliás, são tantos que aprendi a amar, respeitar e admirar. Se um dia eu  tiver que ir embora, irei  com o coração apertado e  com certeza não será por opção. Tenho um sonho “Viver de arte na nossa Betim” e fazer dela uma Cidade Cultural respeitada e procurada por todos!

 

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