RBC Entrevista

PEDRO SILVA

 

LITERATURA DO VELHO MUNDO

Por Thiago Paiva

Escritor português, chegando a incrível marca de 50 obras literárias, lançadas em países como Portugal, Brasil, Espanha e Chile.Talvez a imagem que esteja criando na sua cabeça seja de um senhor dos cabelos brancos e orgulhosas rugas no rosto, mas, queridos leitores, este grande escritor com uma obra admirável tem apenas 33 anos de idade. Pedro Silva, o escritor português mais brasileiro que existe conversou com a Revista Betim Cultural e ao longo de nossa entrevista, discutimos um pouco sobre o que torna o jovem em um excelente escritor digno de ser apresentado como “recordista cultural’’.

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REVISTA BETIM CULTURAL: Pedro, para que possamos começar. 33 anos, 50 livros publicados, qual segredo? Você sofre de insônia?

PEDRO SILVA: Sinceramente, não acredito que exista algum segredo. Tudo está relacionado com muita força de vontade e a crença de ser possível poder cumprir o meu sonho de criança, isto é, tornar-me escritor na verdadeira acepção da palavra. Mas, de qualquer modo, creio que estou apenas a dar os primeiros passos nesta minha caminhada literária.

 

Seu gosto pela leitura e escrita começaram quando você era uma criança. Você acredita que ser autor trata-se de uma vocação, um chamado?

No meu caso, desde muito jovem que tinha este sonho de ser, um dia, um escritor com obra publicada. Sem dúvida que a vocação é fundamental. Mas a paixão não pode ser descurada. Quiçá, tudo isto se resuma naquilo que refere, ou seja, “um chamado”.

No início de sua carreira literária, você enfrentou muitas recusas até que tivesse obras publicadas. Por que esse meio é tão exigente? A concorrência e as editoras são leais com quem se arrisca a ingressar nessa carreira?

Tanto no início da minha carreira literária, como ainda atualmente, as recusas são sempre muitas. E, na verdade, temos de reconhecer que as editoras são empresas. Como tal, existem para ter lucro. Portanto, atendendo à enorme oferta de obras, é natural que tenham de fazer uma selecção para defender os seus interesses comerciais. Eu, apesar de ser autor, concordo com as opções editoriais, mesmo quando recusam um trabalho de minha autoria.

 

Você escreve desde os 10 anos de idade, no inicio não tinha um acesso a internet quanto hoje. Voce acredita que a internet separa as pessoas dos livros? Como você vê a relação livros versus internet?

Não sou entusiasta de uma leitura preferencialmente pelo ecrã de um computador. Posso ser considerado um conservador, no que aos livros diz respeito, mas para mim uma obra deve ser impressa em papel. Mas, atendendo à evolução natural, não é difícil prever que o futuro possuirá fortíssima tendência virtual. E, nessa perspectiva, poder-se-á aproveitar as potencialidades das novas tecnologias para uma integração na própria divulgação da obra. Um livro de História que possa ser complementado com imagens de monumentos ou mesmo vídeos históricos será, sem dúvida, uma mais-valia. Mas, felizmente, acredito piamente que o livro em formato papel nunca irá desaparecer.

 

Sua carreira literária é marcada por obras de extrema complexidade como, ‘’Os grandes mistérios da Humanidade 2006’’, ‘’As maiores civilizações da historia’’ de 2008 e o profundo “Ku Klux Klan: Pesadelo Branco’’ de 2003. Como o seu cotidiano, e o mundo como um todo influenciam suas obras?

Um ensaísta é, sempre, influenciado pelo mundo exterior. Aliás, como qualquer outro cidadão. Porém, a redação dos livros deve ser totalmente isenta. E é isso que tenho procurado em todos os meus trabalhos. Escrever sobre um tema não significa obviamente qualquer ligação com ele, a não ser o de informar o público. Assim sendo, um investigador que publique uma obra sobre uma qualquer enfermidade, não significa que por ela se sinta atraído ou que pretenda sofrer desse mal. Na verdade, está apenas a cumprir o seu papel de estudioso e o dever de informar. Essa é, também, a função do ensaísta.

A partir de seu primeiro livro ‘’ Ordem do Templo: Em Nome da Fé Cristã’’ lançado no ano 2000, ao longo de sua carreira você publicou outras obras voltadas para religiosidade. Escrever sobre elementos místicos, abstratos e fictícios requer uma determinada sintonia espiritual com alguma força ou é como escrever sobre crônicas do cotidiano?

Por muito que isto possa decepcionar alguns leitores, a grande realidade é que, para um ensaísta, a questão temática é praticamente indiferente. A minha fé não influenciou qualquer dos meus títulos. E posso afirmar que sou uma pessoa profundamente crente. Para mim, enquanto profissional, um livro é um objeto de trabalho, para dar ao leitor um texto fluido, interessante, informativo e cativante. Obviamente, que me reservo ao direito de não abordar temáticas que considere ofensivas ou similares, sobretudo porque, para mim, escrever deve ser sinônimo de prazer e não para alimentar ódios ou semear desentendimento.

Quando você dá início a uma obra, você já tem toda historia em mente ou ela acontece sem uma ordem pré estabelecida, na base do “a própria história conduz”?

Depende da obra em questão. No campo dos textos ficcionais, sou mais conduzido pela história. O autor deixa-se enlear no texto. No âmbito das crônicas ou dos roteiros de viagens, existe sempre um componente pessoal, essencialmente no campo da seleção das matérias a abordar. Porém, em termos de ensaio histórico, como já frisei, trata-se de trabalho de investigação estrito.

 

Você tem inúmeras obras obras lançadas no Brasil, como "História e Mistérios dos Templários" pela Ediouro, 2001, "Grandes Enigmas do Passado (Desvendando o Inexplicável) pela Pulso Editorial, de 2008. Existe uma diferença na aceitação das obras pelos leitores de Brasil e Portugal?

Até ao presente momento, não notei qualquer diferença substancial em termos de aceitação pelo público brasileiro e português. Sinto-me até tentado a acreditar que muitos leitores brasileiros acreditam que eu sou um autor brasileiro (até porque o nome “Pedro Silva”, conforme fiquei a saber com o passar do tempo, é bastante comum no Brasil). Para mim é uma enorme honra sentir que, independentemente desse fato, os leitores brasileiros me acolheram de uma forma tão fraternal, fazendo jus à expressão de sermos países-irmãos.

 

Em sua obra "Os mais belos lugares para se conhecer (antes que eles acabem)" da Universo dos Livros, Publicado aqui no Brasil em 2008, seu foco era divulgar lugares interessantes a cunho turístico ou alertar sobre a importância da preservação do meio em que vivemos?

O propósito inicial dessa obra era a divulgação histórica e turística dos locais ali retratados. No entanto, existe em mim uma ligação muito próxima com os monumentos sobre os quais escrevo – sobretudo quando tenho a possibilidade de os visitar com o tempo suficiente para uma percepção ampla do espaço físico em conjugação com a história ali patente. Muito me entristece quando sinto que determinado local não obtém o destaque que merece. Contra isso labuto, imenso, na maioria dos meus estudos ensaísticos.

 

Uma obra tão grande em apenas 33 anos de vida. Quais os planos de Pedro Silva para os próximos anos? Qual sua mensagem para leitores brasileiros?

 

Não querendo repetir-me, o fato é que os meus planos têm sido sempre os mesmos – não apenas continuar a escrever (e a publicar) mas, simultaneamente, procurar melhorar, a cada momento, a minha escrita, de modo a proporcionar ao leitor melhor qualidade em termos de texto final. Espero ter a oportunidade de efetuar uma série de projetos que tenho em mente, assim como visualizar a publicação de alguns títulos já contratados e previstos para lançamento durante o presente ano. A minha mensagem para os leitores brasileiros inicia-se por um forte agradecimento pelo carinho que têm ofertado aos meus livros, desde o primeiro momento, animando-me a prosseguir esta minha atividade. E que espero ainda presenteá-los com mais obras de meu cunho pessoal, até porque, apesar de nem muitos saberem, a grande maioria dos meus títulos publicados foram-no no Brasil.

Por último, não gostaria de terminar a entrevista sem agradecer à Revista Betim Cultural a oportunidade que me proporcionou em poder explanar um pouco sobre a minha atividade literária, assim como dar os meus mais sinceros parabéns pelo excelente contributo que vão dando à cultura brasileira.

 

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Conheça o trabalho de Pedro Silva no site eupedrosilva.blogs.sapo.pt

 

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